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fetiche de ser submissa

“Oi? Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra!” Se é isso o que você pensou quando leu o título, fica por aqui porque temos muito assunto para conversar. Entre os mais diversos fetiches que existem entre as mulheres, há o fetiche de ser submissa.

Logo nós, mulheres, que lutamos tanto para viver sem ter que nos submeter aos homens na “vida real”. Será que esse fetiche não nos faz ser completamente controversas com relação às nossas crenças?

Afinal, que mulher sente tesão em ser amarrada? E vendada? E em tomar umas palmadinhas, seja com a mão, a palmatória ou o chicote? Essa mulher é apenas uma coitada que se submete às pressões do patriarcado? Que se submete a uma prática machista e ainda consegue gozar com isso? Sentiu uma faísca? Vem conversar um pouco mais...

Saindo da caixinha...

Em algum momento você pensa que o fetiche da submissão feminina é uma questão extremamente machista, reflexo do patriarcado onde a mulher é vista como mero objeto, feito simplesmente para servir? Bem, estou aqui para te dizer que a resposta é não. Uma mulher que tem e que se rende ao fetiche de ser submissa, seja para o marido, namorado ou qualquer outro parceiro em quem não é uma coitada, vítima do machismo. Muito pelo contrário.

E isso acontece porque todo fetiche sexual (ou relação sexual em si) só é praticado com consentimento de ambas as partes (sempre, né?). E em todas as vezes deve acontecer dessa forma. E isso, obviamente, se aplica a fantasia de a mulher ser submissa, ainda mais porque ela confere uma prática do BDSM (Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo). Ou seja, se for praticada sem consenso, é abuso, tortura e crime e não tem nada a ver com fetiche sexual.

Com todos esses pontos esclarecidos, vamos continuar com a atenção voltada para o fetiche de ser submissa. A partir do momento em que ele é consensual, que você sabe que quer, que te dá tesão, que dá tesão ao seu parceiro (ou parceira), não seria legal se libertar dos preconceitos e deixar rolar?

Passamos a vida toda ouvindo “nãos”

Afinal, quantas vezes você, enquanto mulher, não ouviu “não” com relação a sua vida sexual? “Mulher direita não se masturba.”; “Mulher feita para casar não faz sexo no primeiro encontro.”; “Mulher não pode transar com muitos caras, caso contrário, é puta.”; “Mulher não pode negar sexo ao marido senão ele procura outra.”; “Mulher não pode ser muito safada na cama, mas também não pode ser inanimada igual a uma boneca.” E agora o movimento feminista: “Mulher não pode ser submissa para não se submeter ao patriarcado.”

É muito não para escutar ao longo da vida e continuar escutando, muita gente querendo podar a sua vida sexual... Eu, particularmente, entendo que o movimento feminista queira libertar a nós, mulheres, das garras do patriarcado e do machismo, mas não precisa nos prender em outra gaiola. Eu, particularmente, acredito que o feminismo se trata de a mulher ter a liberdade para ser o que ela quiser. E se ela quiser ser submissa?

O preconceito acontece por causa do BDSM também

Como falamos anteriormente, essa fantasia de ser submissa se enquadra nos conceitos de BDSM, onde, durante a prática sexual, existe uma pessoa dominadora e a outra é dominada (a submissa). Muitas práticas do BDSM, que envolvem, além de dominação e submissão, os fetiches de bondage, disciplina, sadismo e masoquismo, sofrem preconceito já há muitos anos, como se fossem práticas de pessoas pervertidas.

Mas cabe destacar mais uma vez aqui que, como qualquer outro fetiche ou prática sexual, todas as práticas incluídas no BDSM só acontecem com consentimento de ambas as partes. Até porque, para praticar o BDSM, existe um fundamento que é SSC: são, seguro e consensual. Então, ao praticar BDSM, o combinado é que a outra pessoa não faça nada com você que você não queira e vice-versa.

Por mais que pareça que a pessoa submissa não tem o controle, na verdade, ela tem sim. Porque, dado o fundamento do SSC, é recomendado que as pessoas envolvidas na prática a façam de forma comprometida e, por isso, estabeleçam uma palavra de segurança (uma palavra qualquer, de cunho não sexual). Então, se acharem que algo está saindo do controle, basta dizer a palavra de segurança.

Liberdade para ser submissa e feminista

Sim! Quando a mulher é feminista, ela quebra vários tabus e “regras” que lhe foram importas desnecessariamente. Ela é livre para ser quem quiser e como quiser. É livre de preconceitos e de amarras e busca a plenitude e o respeito como ser humano que é. Entre isso tudo, a mulher feminista também encontra a liberdade para ser uma pessoa que gosta de sexo (gosto esse que era “proibido” às mulheres direitas ou exclusivo dos homens).

E o que é o fetiche de ser submissa além de mais uma forma de praticar o sexo? Se você é mulher, feminista e gosta de sexo, que mal faz gostar de ser submissa? Nenhum, né? A partir do momento em que você e o seu parceiro (ou sua parceira) estão em consenso, conversaram e combinaram previamente o que “vale” e o que “não vale” ao longo da prática e estão felizes e satisfeitos (as) com isso, está tudo certo!